quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

A chuva fina acaricia a janela. A cidade dorme.
Esperança há, ainda que presa dentro das quatro paredes da sala do apartamento aqui em frente.
Toda noite ouço um choro seguido de gemido surdo.
lamento, lamúria, percebo e não entendo nada.
Gosto da noite e seus segredos.
Gosto da chuva que toca os vidros com os dedos.
Gosto de gostar e de gostar de gostar.
No mais, sonho acordado e acredito que seja com o mar.
Uma explosão me desperta de não sei o que.
Parece um tiro ouço um grito acho que de mulher.
Mulheres não rimam com desespero nem mesmo em meio a qualquer explosão.
A noite deve ser uma mulher de bengala.
A boca carnuda de quem está prestes a devorar.
Os dentes ou garras afiados e dispostos a um beijo quente.
Vermelho deve ser a cor da noite.
Essa noite tem cor avermelhada.
Há chuva, luz não há quase nada.
Tem um cão sem raça que toma a calçada.
Um homem na esquina que espera e espera e espera.
Tem alguém que chega só que não na calçada.
Tem um olhar perdido no meio do nada.
Uma alça caida por cima do ombro.
Uma mão no bolso de quem assovia um hino.
Um instrumento quebrado lançado no lixo.
Tem muito do que é quase nada.
Tem tudo e já é madrugada.
Tem um par de sapatos musicais.
Tem um cara, um sujeito, um rapaz atras.
E tem mais.

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