sábado, 7 de agosto de 2004

SALVE TERESA, DONA DA LAPA!

Teresa desce o morro no salto, requebra faceira o corpo violão.
No boteco fila um cigarro, nos arcos mija no chão, continua...
Atravessa a calçada, ganha a rua, debocha da outra que domina a esquina.
Desce a alça do curtíssimo, mira um carro qualquer e faz sinal com a mão.
Esconde uns trocados nos seios, bate a porta da viatura segue na contra mão.
O salto quebrado abandona, sacode o pano ligeira, anda apressada e se liga no malandro que chega de busão.
Brilho no olhar de Teresa, reflexo da corda do H, terno branco pele dúbia, olhar de fera, garrafa na mão.
Chega se joga, beija e fala nada, o cara cospe no chão.
Se enrosca, afasta as pernas, abre e espaço não falta não.
Correm, fogem, encontram um beco, começa num beijo, segura na mão.
Teresa ensaia um rugido, o malandro disfarça com a boca na dela.
Teresa gosta ele não.
Lua no palco da noite, nua Teresa no chão, sangue traçando o caminho.
Teresa é só solidão.

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